Os eventos do calendário oficial do Ano da França no Brasil em Porto Alegre começam focando em imagens. Ou melhor, com o questionamento da própria imagem visual. A mostra Reflexio: imagem contemporânea na França, inaugurada ontem no Santander Cultural, faz um panorama da fotografia contemporânea do país, reunindo seis artistas de universos e estilos distintos (Jean-Luc Moulène, Valérie Jouve, Eric Rondepierre, Suzanne Lafont, Patrick Tosani e Catherine Rebois) mas com uma ambição comum, a de colocar seus “recortes de realidade” a serviço de uma visão de mundo universal. Todos, porém, se confrontam com uma questão inevitável nos dias atuais: quais são os limites da linguagem fotográfica? O próprio título da exposição remete ao seu duplo objetivo e significado: reflexo e reflexão.
A obra de Catherine Rebois, por exemplo, é toda construída sobre paradoxos. Em Le temps d’une affaire a artista trabalha com o que chama de “filmes fotográficos”. São 23 imagens em sequência que, expostas uma ao lado da outra, constroem uma narrativa que tenta captar o tempo real, numa confrontação entre a imagem fixa e o movimento. Um objetivo, obviamente, impossível, dada a própria natureza da fotografia, meio de linguagem criado para captar um instante preciso.
- Há, é claro, um tempo real e um tempo fotográfico - admite Catherine. - E é de fato um paradoxo querer construir o primeiro através do segundo. Mas, apesar de trabalhar com fotografia, sempre me incomodei com os seus limites, o de mostrar apenas um instante.
Já em Desmesure (um trocadilho em francês que brinca com as palavras “medida” e “desmedidas”), Catherine invade novamente o terreno da contradição para criticar a obsessão do homem em medir e controlar não só a si mesmo, mas também todo o mundo ao seu redor. A ironia consiste em sobrepor duas partes de um corpo com medidas diferentes, e que por isso mesmo acabam não se encaixando na imagem. Mais paradoxos: o ser dividido em dois e a defasagem entre o pensamento e a realidade exterior.
- Uma frase de Platão diz que o homem é a medida de tudo - lembra a artista. - Mas essa medida também é o seu limite. As imagens refletem essa loucura de querer racionalizar em pequenas partes objetos fragmentados.
A artista Valérie Jouve segue uma corrente própria da fotografia da década de 90, uma volta à linguagem documental. Sem fazer uso de artifícios ou assessórios, busca a secura e a neutralidade, permeada por mundo simbólico. Em trabalhos como Les personnages avec Ilham Riffi e Les personnages avec E. K., trabalha o espaço do indivíduo dentro da metrópole, a construção de uma identidade em meio a uma condensação de estímulos simultâneos.
O que interessa a Eric Rondepierre, por outro lado, é a relação dos estímulos midiáticos no indivíduo. Imagens como a de Visage d’ Orient questiona a poluição visual da linguagem publicitária e televisiva. Sua fotografia também intervém em outros meios de cultura coma a série Roman, espécie de diário íntimo que sobrepõe películas de fotografias ou de longas-metragens - sempre em primeiro plano - com imagens desfocadas da vida cotidiana do próprio artista, onde invariavelmente se distingue o corpo misterioso e fantasmagórico de sua ex-namorada. Cobrindo o quadro, aparecem em letras minúsculas e quase imperceptíveis, textos de um romance escrito pelo próprio Rondepierre.
- Queria mesclar essas imagens que pertencem ao imaginário coletivo com instantes da minha memória privada, da minha vida pessoal - explica o artista.
Seminário Malraux
A conferência da arquiteta francesa Sophie sobre o tema “Proteção do Patrimônio e Preservação: atualidades e práticas”, foi uma das ações desenvolvidas durante o Seminário Malraux e abertura da mostra fotográfica Reflexio, nos dias 23, 24 e 25, no Santander Cultural em Porto Alegre durante as comemorações do Ano da França no Brasil.
Na condição de convidada, a Defender aproveitou a oportunidade para divulgar o resultado das pesquisas que vem fazendo sobre aquela área e propor de forma pública, a participação cooperada entre o Ministério da Cultura do Brasil, através do IPHAN, do Ministério da Cultura da França e Santander Cultural, para efetivar o resgate da história daquele lugar.
“A positiva manifestação pública do presidente do IPHAN, Luiz Fernando de Almeida, abre uma excelente oportunidade para a formação de uma parceria que nos habilite aprofundar a pesquisa contando com o apoio técnico do Ministério da Cultura” - garante o coordenador de projetos da Defender, Telmo Padilha Cesar.
Fonte: JORNAL DO BRASIL ONLINE

[...] uma narrativa que tenta captar o tempo real, numa confrontação entre a … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]