“Cuide de Você”, uma das mais famosas e polêmicas mostras da artista conceitual francesa Sophie Calle, foi aberta para convidados na noite desta sexta-feira (10 de julho) no galpão do SESC Pompeia, em São Paulo. A exposição, inédita na América Latina, faz parte do calendário oficial do Ano da França no Brasil e ficará em cartaz na capital paulista até 7 de setembro. Em seguida, parte para Salvador, onde ficará no Museu de Arte Moderna da Bahia entre 22 de setembro e 22 de novembro.
O tema da exposição gira em torno de uma carta de rompimento que a artista recebeu de seu ex-namorado, o escritor Grégoire Bouiller. Calle distribuiu a mensagem para outras 107 mulheres – desde celebridades a anônimas, de familiares ou amigas a estranhas – para que cada uma a interpretasse à sua maneira, através de sua própria linguagem. A lista de convidadas vai desde a mãe da artista, a compositora Laurie Anderson, a DJ Miss Kittin, as atrizes Jeanne Moreau, Victoria Abril e Maria de Medeiros, além de profissionais como linguista, revisora, sexóloga, juíza, delegada, taróloga, antropóloga, designer, assistente social, criminologista e clarividente. O resultado final consiste em um inovador exercício de reflexão, no qual diferentes linguagens, profissões, expressões artísticas e pontos de vista interagem em torno de um tema cotidiano e universal.
Para o presidente do Comissariado Brasileiro do Ano da França no Brasil, Danilo Miranda, Sophie Calle é uma das maiores artistas da atualidade. “Ela é peculiar, pois pega um fato relevante de sua vida, embora pessoal, e o transforma em um evento artístico significativo. E faz isso por meio de uma diversidade de mídias: fotos, vídeos, depoimentos, escrita, interpretações, ou seja, vários módulos de arte”. De acordo com Miranda, a obra leva a vários questionamentos além dos próprios depoimentos: “O limite entre o público e o privado, como transformar algo de caráter muito pessoal em uma obra universal e aberta, tudo isso é discutido. E é o que há de mais contemporâneo em arte tanto no mundo quanto na França, em particular. Portanto, é fundamental a presença desse evento no Ano da França no Brasil”, afirma Miranda.
Para ele, embora a iniciativa de Calle possa parecer à primeira vista um tanto agressiva para o público que ainda não a conheça, o tema foi tratado com extrema delicadeza. “É tão envolvente e levanta tantos questionamentos que acaba por impedir a banalização, o entendimento vulgarizado, de um machismo ao contrário. Tudo isso aparece como algo absolutamente superado. É realmente algo muito especial que temos aqui hoje”, afirmou.
A visão da artista
“Nunca expus aqui, e isso é uma boa experiência. As instalações são excepcionais, o local é excelente e corresponde muito bem às necessidades de meu trabalho. Ele até o valoriza. Isso para mim é o mais importante”, afirmou Sophie Calle. Ao ser perguntada sobre a expectativa da recepção do publico brasileiro, a artista admitiu que não pode se preocupar com esse fator: “Espero somente que o público venha e aprecie essa mostra como uma obra de arte, não somente como uma guerra entre os sexos. Até porque esse trabalho não se resume a isso. Para mim, trata-se de utilizar um objeto que fez parte de minha vida – e talvez isso venha a chocar algumas pessoas por se tratar de uma carta – para me expressar artisticamente. Como o próprio autor da carta aceitou participar desse projeto, a opinião dos outros homens realmente não me importa”, afirmou sorrindo.
Para Solange Farkas, curadora da exposição e diretora da Associação Cultural Vídeo Brasil, responsável por trazer a mostra ao Brasil, os sentimentos que a artista colocou em seu trabalho, como a dor e o sofrimento, o tornam extremamente acessível a um público mais amplo. “A relação do trabalho da Sophie com o público é o grande trunfo dessa exposição. Trata-se de um diálogo bem direto com um público comum, que não precisa ser necessariamente iniciado em arte contemporânea para usufruir de seu conteúdo. Por essa razão resolvemos trazê-la. Não só porque a considero a artista contemporânea mais importante do mundo, mas porque ela combinava com a proposta agregadora do Ano da França no Brasil”, afirmou.
Já para Beatriz Leandro, assessora da Diretoria de Relações Internacionais do Ministério da Cultura, a exposição só não foi perfeita por causa de um detalhe: a própria carta de Grégoire Bouiller, a quem ela não poupou bem-humoradas críticas. “Mais seriamente, a exposição é sublime, criativa, inteligente, tem todos os elementos de uma relação que termina”, afirmou. Para ela, uma artista da envergadura de Sophie Calle, que ainda não é tão conhecida no país, aproxima o público brasileiro para um lado da França que ainda não é totalmente conhecido “Um dos grandes objetivos do Ano da França no Brasil que estamos cumprindo é o de trazer novos talentos, e assim mostrarmos uma outra face da França, bem mais descontraída”.
Público
Entre os convidados da noite de abertura, o destaque ficou para a atriz Marisa Orth, que analisou pacientemente cada uma das peças da exposição. “Essa exposição é muito interessante, uma tremenda idéia, a gente se envolve. Eu gosto mesmo dessa idéia de conselho de mulheres. Dá muita força ver toda a mulherada junta”. Ao ser perguntada sobre o que ela faria caso tivesse sido convidada a analisar a carta, após uma rápida reflexão, a atriz revelou: “Acho que eu imitaria ele (Grégoire), como se ele estivesse contando a carta. Botaria sua roupa, faria uma performance como se fosse ele na hora em que ele estivesse escrevendo”, afirmou Marisa.
O público feminino presente à noite de abertura pareceu bem propenso a “tomar partido” de Sophie. As figurinistas Alice Alves e Mariana Pompeu, que não conheciam ainda o trabalho de Sophie Calle, apoiaram inteiramente a iniciativa. “A idéia dela é o máximo, é a vontade que toda mulher tem. Imagine receber uma carta dessas e ao contrário de ficar chorando mostrar sua indignação pra todo mundo. Tem que colocar a boca no trombone mesmo”, disse Alice. “Também não posso negar que adorei o que ela fez. Mas as visões particulares e a diferença na reação de cada uma das 107 convidadas também servem outro forte atrativo”, afirmou Mariana, mais comedida.
Os patrocinadores do Ano da França no Brasil são:
Comitê dos patrocinadores franceses:
Accor, Air France, Alstom, Areva, Caixa Seguros, CNP Assurance, Câmara de Comércio França-Brasil, Dassault, DCNS, EADS, GDF SUEZ, Lafarge, PSAPeugeot Citroën, Renault, Saint -Gobain, Safran, Thales, Vallourec.
Patrocinadores brasileiros:
Banco Fidis, Bradesco, BNDES, Caixa Econômica Federal, Centro Cultural Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás, Fiat, Gol, Grupo Pão de Açúcar, Infraero, Oi, Petrobras, Santander, Serpro, SESC.
Parceria e realização:
TV5, Ubifrance, Aliança Francesa, Culturesfrance, Republique Française,TV Brasil, Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Cultura,Governo Federal do Brasil.
Informações para jornalistas:
Assessoria do Ano da França no Brasil: Entrelinhas Comunicação
Contatos: (11) 3066-7700 e franca.br2009@entrelinhas.net
As fotos também estão disponíveis em http://www.flickr.com/photos/francabr2009/e os vídeos, em http://www.youtube.com/francabr2009
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